Durante vários anos as instituições financeiras e as redes varejistas deram muita importância ao fornecimento de crédito, parcelamento no carnê e parcelamentos no cartão. Esse tipo de financiamento era necessário para promover o crescimento e consolidação do sistema bancário nacional. Embarcando nessa onda e visando oferecer outros serviços aos consumidores diversas redes do varejo começaram a financiar os seus consumidores por meio de cartões híbrido e private label. Para os varejistas mais conservadores algumas instituições financeiras se tornaram parceiras e juntos forneciam cartões co-branded.
A C&A foi uma das pioneiras neste setor. Os resultados foram tão positivos que a mesma criou a Ibi, braço financeiro da rede. A rentabilidade do patrimônio líquido chegou a R$411,4 milhões em dezembro de 2004. Seus cartões hoje são aceitos em outras redes como Drogasil e McDonald’s, feito inédito na história do varejo.
Mais do que gerar maior receita por meio da exploração de outra atividade o uso dos cartões oferece aos varejistas informações preciosas sobre seus consumidores. Eles criam uma relação mais próxima, uma espécie de cumplicidade. Este vínculo foi gerado a partir do momento em que o consumidor percebe a loja como um local mais receptivo do que o banco. Entre os fatores que lhes dão essa preferência estão à flexibilidade de horários, o conforto, maior número de unidades e o atendimento. O crescimento de serviços financeiros prestados pelo varejo tem chamado a atenção das instituições financeiras. Tal fato pode ser exemplificado pela recente compra de 49% do Banco Carrefour pelo Itaú Unibanco por R$725 milhões.
O aquecimento do mercado e a facilidade de crédito têm levado os brasileiros as compras. Porém em períodos inflacionados e juros elevados a prestação que antes cabia no bolso já não cabe mais. O endividamento atinge 24% dos lares brasileiros e leva a população a tomar medidas desesperadas, como venda de ágil de financiamentos imobiliários. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio o crescimento do endividamento é para equilibrar o orçamento doméstico (quitar dívidas) e não para aumentar o consumo, como ocorreu em 2010. As dívidas com cartões de crédito chegam a R$100 bilhões e inadimplência aumentou 8% em março deste ano, em comparação com o mesmo período em 2010.
Um movimento contrário a bolha de dívidas e inadimplência vêm dando uma luz a quem não faz parte deste movimento. O projeto de Cadastro Positivo, de autoria do Senador Francisco Dornelles (PP-RJ), prevê a criação de uma lista de consumidores que pagam suas contas em dia. O projeto já foi aprovado e aguarda a sanção da presidente Dilma Rousseff. Ainda é estudada a redução dos juros pelas instituições financeiras ao fornecer crédito a cidadão com o nome no cadastro.
Esta lei poderá inaugurar um novo ciclo no varejo, a retomada da valorização do pagamento a vista, que há alguns anos tem sido desvalorizado. Os varejistas oferecem poucas vantagens a pagamentos a vista e o desconto ofertado por muitas vezes não é vantajoso. A revitalização do pagamento a vista poderá lembrar aos brasileiros da importância de poupar e amenizar as atuais turbulências.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
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